Até que o corona nos separe: como casais estão lidando com o confinamento

Na primeira semana, estávamos bastante perdidos", relata o o médico neurologista Felipe Franco, 28.

Fonte: UOL https://www.uol.com.br/


"Na primeira semana, estávamos bastante perdidos", relata o o médico neurologista Felipe Franco, 28, casado com residente de radiologia Guilherme Wertheimer, 32. Apesar de terem comemorado seis anos juntos durante a quarentena, eles contam que nunca tinham passado tanto tempo juntos.


"Nosso cachorro, o Nhoque, está até estranhando", brinca Felipe. "Com a maioria das atividades concentradas nos plantões médicos, estamos ficando bem mais tempo em casa e e isso tem deixado tudo mais leve. Embora ainda tenhamos que trabalhar muito, nunca passamos tanto tempo juntos."


Com o avanço exponencial da pandemia, a recomendação é clara: fique em casa. Há aqueles que estão em isolamento ao lado do parceiro, outros alimentam a saudade ou enfrentam dificuldades para se ver em meio ao risco. Para esses casais que estão juntos, o sentimento vai do estresse à plenitude em segundos. O desafio é encontrar equilíbrio pessoal e manter o relacionamento saudável.


Felipe e Guilherme, mesmo morando juntos, chegavam a ficar dias sem se ver por causa da rotina intensa de hospital. "Eu terminei a residência recentemente e o Gui tinha começado o segundo ano da residência dele, nossas agendas acabavam se desencontrando", conta Felipe.


O confinamento trouxe a rotina. "Agora fazemos atividade física juntos, em casa, assim como conseguimos conciliar períodos de estudos e descanso. Mas temos trabalhado bastante."


Para o psicólogo Waldemar Magaldi, fundador do Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa, manter uma linha de diálogo aberta é fundamental com a mudança de rotina. "A quarentena desperta emoções e situações com que não estávamos acostumados a lidar, como afazeres domésticos, a relação com outro.


Questões que estavam adormecidas vêm à tona de forma exacerbada. Esse período é uma boa oportunidade para lidar com esses aspectos", diz o psicólogo. A gestora de projetos Elizabeth Torres, 32, casada com Diego Nunes, 33, piloto da Stockcar, se conheceram na adolescência, estão juntos há 15 anos e têm uma filha de 2 anos. "Somos o oposto da maioria: Quanto mais tempo a gente passa junto, menos a gente briga", relata Elizabeth. Eles sempre tiveram uma rotina diferente: Diego, como piloto do automobilismo, trabalha aos finais de semana, viaja de quinta a domingo; já Elizabeth trabalha de segunda a sexta em horário comercial.


Eles decidiram retirar a obrigação de ter uma rotina e horários durante a semana. "A gente não tem mais regras, às vezes tomamos um vinho na segunda ou vamos dormir tarde na terça. Isso ajudou a aliviar o início da quarentena e tirar a sensação de aprisionamento", diz ela.


Aos poucos estão colocando a rotina nos eixos, dividindo as tarefas. "Entendemos que há diferentes papéis dentro da dinâmica domiciliar e que podem ser trocados. A responsabilidade da casa é dos dois, os papéis estão expostos e cabe a cada um de nós executar a função, independentemente de qual ela seja."


Ao analisar os desafios do período, o psicanalista e professor do Instituto de Psicologia da USP Daniel Kupermann cita uma analogia de Schopenhauer citada por Freud, do ser humano como porco-espinho: no inverno se aproximam para se aquecer e acabam se espetando; se afastam e sentem frio, voltando a se aproximar infinitamente.


"A quarentena nos obriga a um contato íntimo por mais tempo do que o habitual. Há um risco nisso. Se nós não respeitamos o espaço do outro, nos espetamos, porque somos sujeitos narcísicos e isso pode provocar reações desagregadoras", diz.


Juntos, mas separados


A brasileira Letícia Sales, 32, sócia e noiva do indiano Peeyush Rastogi, 27, estão juntos há seis anos. Eles se conheceram depois de um intercâmbio de Letícia a trabalho na Índia. "Estamos lidando bem com a distância, já somos acostumados", conta. Antes da quarentena, o casal alternava as temporadas entre Brasil e Índia. E a pandemia pegou o casal no momento em que Letícia está em Jaipur. "Eu estou no meu apartamento e ele está na casa dele, a 5 quilômetros.


A gente não se vê há 20 dias, tirando alguns minutos uma vez por semana, quando ele me traz legumes e verduras. É como se a gente estivesse na nossa rotina normal de quando estou no Brasil, mas com o benefício de estarmos no mesmo fuso horário", conta ela, sobre a diferença 8h30min no fuso entre os países.


O isolamento foi importante para manterem a individualidade, apesar da saudade.


Os sogros da Letícia a convidaram para passar o período de isolamento na casa deles, algo incomum, já que na Índia não se leva a nora para casa antes do casamento. "Eu pensei bastante, e decidi adiar.


Estamos com casamento marcado para o final do ano, e a pandemia tem deixado as pessoas mais estressadas do que o normal. Achei melhor não ir, porque não quis arriscar criar tensões desnecessárias e colocar o meu relacionamento em risco", afirma Letícia.


Oportunidade para aprofundar a relação


"Algumas pessoas negam, outros barganham e outros encaram a realidade, ressignificando e a transformando", afirma o psicólogo Waldemar Magaldi. Ele sugere que o casal mantenha uma linha de diálogo. É, também, importante buscar instrumentos para maior aproximação e propor atividades para serem feitas em conjunto, como filmes com o objetivo de estimular o diálogo e uma discussão saudável entre o casal, compartilhando sonhos e aspirações. Para os casais, uma oportunidade para maior conexão emocional.


"Na medida que partilho minhas emoções e pensamentos com o meu parceiro, partilho a minha alma e o relacionamento se renova. Essa é uma oportunidade das relações deixarem de ser rasas e ganharem profundidade e longevidade.".


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